Com valores elevados, em alguns casos, baixa qualidade e escassez de matéria prima, a indústria do vinho corre para encontrar novas alternativas à rolha de cortiça e convencer consumidores desconfiados.
O sobreiro, árvore cuja casca é a matéria prima para a confecção da tradicional rolha de cortiça, era comum em toda a Bacia do Mediterrâneo, Córsega, Catalunha, Estremadura, Sardenha e Sicília e nas costas meridionais do Atlântico. Hoje, o Alentejo, no sul de Portugal, é praticamente o único a ter florestas da espécie e é responsável por suprir a crescente demanda global.
As rolhas de cortiça são usadas desde o século XVII, com o surgimento das garrafas modernas de vidro, criadas pelo inglês Sir Kenelm Digby. Contudo, as populações das regiões onde o sobreiro crescia, não o viam como algo comercialmente viável. A madeira não é boa para a marcenaria, e o fruto, a bolota, serve apenas de alimento para porcos selvagens. Além disso, um sobreiro leva quarenta anos para que se possa extrair a primeira casca para produção de rolhas. Depois disso, apenas a cada nove anos pode-se retirar novamente sua cortiça. Ou seja, se alguém plantasse hoje um sobreiro, em meio século, retiraria tão somente duas vezes a matéria prima da rolha.
Com a escassez de cortiça e a popularização e o aumento da produção de vinho em todo o mundo, aliado a técnicas mais avançadas de produção, este secular método de vedação entra em xeque. Para muitos produtores, a rolha tem o maior peso no custo final de uma garrafa pronta. Uma boa rolha custa em torno de um Euro. A maior parte do vinho consumido no mundo não sai das vinícolas por mais de três euros.
Diversos testes foram feitos na tentativa de substituir as rolhas de cortiça. Contudo, apenas no início dos anos 90, surgem as primeiras garrafas vendidas em maior escala que utilizavam um tipo de rolha sintética. Em 1999, a Austrália inicia a produção de garrafas com um tipo ainda mais inovador e desafiador: a tampa de rosca (screw cap). No ano de 2004, a Nova Zelândia adere maciçamente à este tipo de vedação desafiando as tradições centenárias do vinho. Como faziam parte do novo mundo vitivinícola, sentiam-se alheios à toda mística envolvendo o fermentado de uvas e visaram o barateamento e racionalidade comercial do produto. Posteriormente, outros países aderiram às tampas de rosca. A favor das tampas de rosca está o fator da cortiça poder ser atacada pela TCA, substância química volátil que, caso contamine a cortiça, gera o famoso vinho bouchonné. Estima-se que de dois a cinco por cento do vinho tampado com cortiça tenha este problema.
Um outro fator que corrobora com a visão dos entusiastas da screw cap, é o fato de apenas uma minúscula parte da produção de vinho ser efetivamente de longa guarda. A maior parte é para consumo em até cinco anos.
Há muita discussão sobre o tema. Não se sabe ao certo como um vinho reagiria por muitos anos lacrado com tampa de rosca. No caso da rolha de cortiça, microporos permitem uma levíssima interação do vinho com o ambiente, permitindo sua evolução em garrafa. O mais importante para nós consumidores, é termos a mente aberta, e que, com rolha de cortiça, de vidro (sim, tem essa também) ou tampa de rosca, o vinho que da garrafa sair seja bom e com preço compatível à sua qualidade.
Tipos de Rolha:
Rolhas de Cortiça:
*Maciça – De melhor qualidade, quanto mais longa e elástica mais apreciada e cara.
*Aglomerado – Pequenas partes de cortiça coladas em formato de rolha. Menos elásticas e resistentes. Em alguns casos, a cola usada em sua confecção contamina o vinho. Muitos utilizam um disco maciço para separar o aglomerado do vinho.
*Sintética – Chegaram no início dos anos 1990, causando polêmica. Tinham como vantagem as cores variadas e ausência de TCA. Os críticos dizem que são pouco elásticas e vedam mal.
*Tampa de Rosca (screw cap) – Para muitos, é o vedante mais promissor. Barato, seguro e prático. A garrafa pode ser armazenada de pé, não há contaminação de TCA. Ainda não se sabe ao certo como afetará os vinhos de guarda.
*Tampa de vidro ou Vino-lok – Inerte, veda bem, esteticamente atraente mas ainda cara. Alguns produtores alemães utilizam este tipo de rolha.
*Zork – Vedação inovadora, ainda pouco testada, criada na Austrália. Guarda semelhança a tampa de rosca.


